4/15/14

Slowly dies... A Gentleman's poem not by Pablo Neruda


One of my favorite poets has always been Pablo Neruda, specially his "Slowly dies". It's not about love, or beauty, or fantasy. It's not even a lamentation of failed dreams. It's a warning, a battle cry, about how easily we can die. Even if we are among the living, we can still be dead. Like the lion caged for so long that you can see his soul dead when you look into it's eyes.

Unlike many who started reading Neruda either after hearing of him in HIMYM or after some comparative literature class in college, I had to study him as part of my regular education in High School. I might have complained then, but now I appreciate how I was exposed to him, to Cervantes, to Unamuno, to Borges, to Garcia Marquez, to Ayende, and to many others.

So I held this poem in great regard an as an inspiration for life. And then it happened. The same powers that the internet has to promote and turn all those Cat videos into international sensations, also tend to work wonders and magic in a positive way. And so it came about, Neruda was not the author, but Martha Medeiros, a Brazilian poet.

SLOWLY DIES (English translation)


Slowly dies he who becomes a slave to habit, repeating every day the same routines , who doesn’t change brands, who doesn’t risk to wearing a new color, and doesn’t speak to who he doesn’t know.
Slowly dies he who makes television his guru.
    
Slowly dies he who shuns passion, who prefers black and white and dotting their I’s to a whirlpool of emotions, precisely those that recover the gleam of the eyes, the smiles from yawns , and the hearts from the stumbles and feelings.

Slowly dies he who doesn’t turn away from the desk when unhappy at work, who doesn’t risk certainty for uncertainty to go after a dream, who is not allowed, at least once in life, to flee from sensible advice.

Slowly dies he who doesn’t travel, who doesn’t read, who doesn’t listen to music, who doesn’t find grace within himself.

Slowly dies he who destroys his self-love, who doesn’t let others help him.

Slowly dies he who spends his days complaining about his bad luck or the incessant rain.

Slowly dies he who abandoned a project before starting it, not asking a about things he does not know or not responding when asked about something he does know.

Let's avoid death in soft quotas, remembering always that being alive requires a much greater effort than simply breathing.

Only a burning patience will let us conquer a splendid happiness.

MUERE LENTAMENTE (Spanish, the one running around online)



Muere lentamente quien se transforma en esclavo del hábito, repitiendo todos los días los mismos trayectos, quien no cambia de marca, no arriesga vestir un color nuevo y no le habla a quien no conoce.
Muere lentamente quien hace de la televisión su gurú.
Muere lentamente quien evita una pasión, quien prefiere el negro sobre blanco y los puntos sobre las “íes” a un remolino de emociones, justamente las que rescatan el brillo de los ojos, sonrisas de los bostezos, corazones a los tropiezos y sentimientos.
Muere lentamente quien no voltea la mesa cuando está infeliz en el trabajo, quien no arriesga lo cierto por lo incierto para ir detrás de un sueño, quien no se permite por lo menos una vez en la vida, huir de los consejos sensatos.
Muere lentamente quien no viaja, quien no lee, quien no oye música, quien no encuentra gracia en sí mismo.
Muere lentamente quien destruye su amor propio, quien no se deja ayudar.
Muere lentamente, quien pasa los días quejándose de su mala suerte o de la lluvia incesante.
Muere lentamente, quien abandonando un proyecto antes de iniciarlo, no preguntando de un asunto que desconoce o no respondiendo cuando le indagan sobre algo que sabe.
Evitemos la muerte en suaves cuotas, recordando siempre que estar vivo exige un esfuerzo mucho mayor que el simple hecho de respirar.
Solamente la ardiente paciencia hará que conquistemos una espléndida felicidad.


A MORTE DEVAGAR (Portuguese, the original poem)
Morre lentamente quem não troca de idéias, não troca de discurso, evita as próprias contradições.
Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado. Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não dá papo para quem não conhece. 

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário. Muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema, mas muitos podem, e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos is a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo.

Morre lentamente quem destrói seu amor-próprio. Pode ser depressão, que é doença séria e requer ajuda profissional. Então fenece a cada dia quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda, e na maioria das vezes isso não é opção e, sim, destino: então um governo omisso pode matar lentamente uma boa parcela da população.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante.

Que amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia. Já que não podemos evitar um final repentino, que ao menos evitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar.